Gapi assinala 36 anos com foco na juventude e no futuro do emprego em Moçambique

A Gapi celebra neste mês de Março, 36 anos de existência, reafirmando o seu compromisso com a promoção do empreendedorismo e a criação de emprego sustentável em Moçambique, com particular enfoque na juventude.

A efeméride teve como um dos pontos mais marcantes, a realização de uma reflexão estratégica sobre os desafios económicos actuais e o papel da instituição no futuro do país, durante um encontro com jovens da AIESEC em Moçambique. Na ocasião, foi sublinhado que a celebração não se limita ao percurso histórico da Gapi, mas sobretudo à necessidade de discutir soluções para o futuro, num contexto em que cerca de 500 mil jovens entram anualmente no mercado de trabalho moçambicano.

Segundo António Souto, um dos fundadores da Gapi, a quem coube a responsabilidade de conduzir a reflexão, “o principal desafio económico do país não é apenas o crescimento, mas a criação de empregos produtivos, sustentáveis e de qualidade. Actualmente, grande parte dos jovens acaba inserida no sector informal, com baixos rendimentos e poucas perspectivas de progressão, o que levanta preocupações ao nível da estabilidade social e do desenvolvimento económico.”

Enquanto Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), a Gapi destacou o seu papel na transformação de iniciativas em actividades económicas viáveis, com impacto directo na geração de emprego. Ao contrário de bancos comerciais ou programas assistenciais, a organização actua em contextos de maior risco, apostando não apenas no financiamento, mas também na capacitação dos beneficiários.

“Financiamento sem capacitação cria dívida. Financiamento com capacitação cria empresas”, defende a instituição, que ao longo dos anos tem apostado na formação de competências técnicas, digitais e comportamentais dos jovens empreendedores.

Com quase duas décadas de experiência centrada na juventude, a Gapi implementou diversas iniciativas como ProJovem, Negócios Verdes, Agro-Jovem e Incubox, acumulando conhecimento sobre os mecanismos mais eficazes de promoção do empreendedorismo juvenil.

A instituição reconhece, no entanto, que o problema do emprego exige uma abordagem mais ampla, baseada num ecossistema que inclua infra-estruturas, competências, empresas organizadas e instituições funcionais.

No âmbito das comemorações, foi igualmente destacada a resiliência da Gapi ao longo dos seus 36 anos, tendo enfrentado crises financeiras, choques climáticos e restrições de financiamento externo, mantendo-se activa graças a uma gestão rigorosa de risco e à sua capacidade de adaptação.

Olhando para o futuro, a organização encontra-se a actualizar a sua estratégia para o período 2026–2030, com o objectivo de se tornar mais digital, orientada para impacto, próxima dos jovens e capaz de mobilizar novos recursos, incluindo capital interno.

A nova abordagem prevê soluções inovadoras, como financiamento combinado, partilha de risco e parcerias com o sector privado, reforçando o papel da Gapi como catalisador de oportunidades económicas.

A mensagem final deixada aos jovens foi clara: “o futuro será construído por aqueles que decidirem empreender, assumir riscos e criar valor, cabendo à Gapi posicionar-se como parceira neste processo.”

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