Na tranquila comunidade costeira de Maringanha, em Pemba, Cabo Delgado, um grupo de mulheres pescadoras decidiu transformar dificuldade em força. Assim nasceu o Grupo de Poupança e Crédito Rotativo “Nova Vida”, uma semente de autonomia financeira plantada pelo Projecto Agrovida em outubro de 2024 e que floresceu a partir de abril de 2025.
Formado inicialmente por 15 mulheres que viviam da pesca artesanal e do comércio de bens essenciais, o grupo cresceu para 35 membros unidos por um mesmo propósito: sair da vulnerabilidade financeira e assumir as rédeas de seus destinos. Para muitas, a pesca era o sustento; com “Nova Vida”, tornou-se também o ponto de partida para novos empreendimentos.
Poupança que transforma
Com contribuições mensais entre 200 a 500 MZN, o grupo já acumulou mais de 56.000 MZN em apenas quatro meses, e reinvestiu esse valor em mais de 15 pequenos empréstimos internos. Um fundo social solidário de emergência já ajudou membros em momentos difíceis, como doenças ou perdas familiares.
“Empreender para viver melhor” é o lema destas pescadoras que tornaram-se também empreendedoras. Algumas vendem peixe, carvão, capulanas ou refrigerantes. Outras investiram em perfumes, bolos caseiros e até reforçaram seus equipamentos de pesca. Com a orientação do projecto, elas aprenderam a gerir as suas finanças, a distinguir gastos essenciais dos supérfluos e a registar entradas e saídas com disciplina.
Mais do que dinheiro para investir nos seus negócios, essas mulheres conquistaram, (i) a capacidade de comprar materiais escolares para seus filhos; (ii) alimentação garantida; (iii) apoio a familiares e aquisição de pequenos bens; (iv) orgulho, união e reconhecimento como exemplo na comunidade; e (v) menos dependência de agiotas e mais autonomia para decidir.
“Por trás de cada reunião quinzenal, uma rede de apoio cresce — fortalecendo mulheres, famílias e uma comunidade inteira. O grupo “Nova Vida” não é apenas um Grupo de Poupança e Crédito Rotativo. É símbolo de uma mudança de mentalidade: poupar é poder; investir é liberdade; unir-se é resistir.” – garante um dos gestores alocados pelo projecto Agrovida.

