Durante a CASP 2026
A Gapi destacou a importância do acesso ao financiamento como instrumento para impulsionar investimentos privados em cadeias de valor alimentares mais inclusivas, resilientes e orientadas para a melhoria da nutrição infantil, reforçando que o desenvolvimento económico sustentável depende igualmente do fortalecimento do capital humano.
Este posicionamento foi defendido durante a Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), no qual a Gapi integrou o painel temático “Sector Privado e Nutrição Infantil: Nutrir o Futuro, Fortalecer a Economia”, uma sessão que reuniu representantes do Governo, sector empresarial, parceiros de desenvolvimento e organizações internacionais para debater o papel estratégico das empresas na promoção da segurança alimentar e nutricional em Moçambique.
Etelvina Sousa, Gestora Sénior de Programas e Projectos de Desenvolvimento e Apoio Empresarial, em representação da Gapi, respondeu a várias questões colocadas pela plateia sobre o papel do sector privado no fortalecimento da nutrição infantil.
Perante a questão sobre como o sector privado pode assumir um papel mais activo na melhoria da nutrição infantil e quais os apoios ou incentivos necessários para transformar essa vontade em investimento e acção concreta, Etelvina Sousa, em representação da Gapi afirmou que a sua instituição acredita que “o sector privado já constitui o coração do sistema alimentar, uma vez que são as empresas que produzem, processam, distribuem e comercializam os alimentos que chegam diariamente às famílias moçambicanas”.
Sousa acrescentou que, na visão da Gapi, o sector privado pode desempenhar um papel ainda mais relevante se a nutrição passar a ser integrada na própria dinâmica do mercado, transformando-se simultaneamente num objectivo de desenvolvimento e numa oportunidade de negócio. Contudo, salientou que o investimento nesta área continua condicionado por diversos factores, entre os quais o reduzido conhecimento do consumidor sobre alimentação nutritiva, as exigências de certificação dos produtos, as dificuldades de acesso a financiamento adequado e seguro, bem como outros constrangimentos que exigem uma abordagem integrada envolvendo o Estado, os parceiros de cooperação, o sector financeiro e os reguladores.
Respondendo à questão sobre os principais constrangimentos que actualmente limitam um maior investimento privado na segurança alimentar e nutricional, Etelvina reforçou que estes desafios não podem ser resolvidos isoladamente. Defendeu que é necessário criar um ambiente favorável ao investimento através de políticas públicas consistentes, mecanismos de mitigação de risco, instrumentos financeiros adaptados às necessidades das empresas e um reforço das parcerias entre os sectores público e privado.
Na resposta à pergunta— qual deve ser a mensagem única para o sector privado e que compromisso concreto deveria ser assumido nos próximos 12 meses — a representante da Gapi apelou à conjugação de esforços entre todos os actores económicos e institucionais.
“A nossa mensagem é clara: o sector privado deve abraçar a nutrição não apenas como uma oportunidade de gerar lucro, mas como um investimento que produz impactos directos na sustentabilidade das famílias, na produtividade da economia e no desenvolvimento do país. É fundamental fortalecer parcerias e intensificar a articulação com as instituições governamentais e demais parceiros para transformar este compromisso em resultados concretos.”
O painel contou igualmente com representantes do Ministério da Saúde, da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), da UNICEF e da Global Alliance for Improved Nutrition (GAIN), tendo debatido os desafios e as oportunidades para reforçar o compromisso empresarial com a segurança alimentar e nutricional, bem como mecanismos de parceria para acelerar a implementação dos compromissos nacionais nesta área.
A sessão teve como objectivo mobilizar o sector privado para investir em soluções sustentáveis de nutrição infantil, evidenciando o retorno económico destes investimentos e identificando oportunidades concretas em áreas como a fortificação de alimentos, cadeias de valor nutritivas, alimentação escolar, logística, cadeia de frio, serviços financeiros e inovação tecnológica.
Com a sua participação na CASP 2026, a Gapi reafirma o seu compromisso de promover soluções financeiras e parcerias estratégicas que contribuam para o fortalecimento dos sistemas alimentares, o desenvolvimento do empresariado nacional e a construção de um futuro mais saudável, inclusivo e sustentável para Moçambique.



