Gapi quer liderar o financiamento inclusivo em Moçambique

– Na XXI Conferência Anual do Sector Privado, instituição defende um novo modelo de financiamento baseado na partilha de risco, no financiamento misto e na mobilização de parceiros públicos e privados para acelerar o investimento produtivo.

A Gapi manifestou a sua disponibilidade para assumir o papel de plataforma nacional de financiamento inclusivo, colocando a sua experiência, capacidade técnica e presença nacional ao serviço de soluções financeiras destinadas a acelerar o investimento produtivo, fortalecer as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) e aumentar a competitividade da economia moçambicana.

A proposta foi apresentada pelo Presidente da Comissão Executiva da Gapi, Adolfo Muholove, durante o Painel 9 da XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP), subordinado ao tema “Financiamento e Competitividade – Novas soluções para acelerar o investimento produtivo, a partilha de risco e a inclusão das PMEs”.

Na sua intervenção, Muholove defendeu que Moçambique dispõe hoje de melhores níveis de inclusão financeira e digital, mas continua a enfrentar um desafio estrutural: transformar essa inclusão em financiamento efectivo para os sectores que produzem riqueza, geram emprego e promovem a industrialização do país.

“O problema central já não é apenas a escassez de recursos. É a arquitectura de risco do sistema. Enquanto o risco for suportado integralmente por quem empresta ou por quem investe, o crédito continuará a fugir da economia real.” – reiterou.

Uma plataforma para ligar recursos ao investimento produtivo

Perante este cenário, a Gapi apresentou uma visão integrada para o financiamento ao desenvolvimento, propondo a criação de uma plataforma nacional capaz de articular recursos públicos, banca comercial, instituições financeiras de desenvolvimento e parceiros internacionais, reduzindo o risco das operações e aumentando o fluxo de financiamento para a agricultura, agro-indústria, indústria transformadora, logística, inovação e outros sectores estratégicos.

A instituição considera que a sua experiência de 36 anos, a presença em 110 distritos, a capacidade de estruturar operações de blended finance e a proximidade com os empreendedores colocam-na numa posição privilegiada para desempenhar esse papel de articulação nacional.

“A Gapi reafirma, perante esta conferência, a sua disponibilidade para servir de plataforma operacional destas soluções, colocando a sua rede, a sua experiência em financiamento misto e as metas do seu Plano Estratégico 2026–2030 ao serviço da agenda nacional de competitividade. O nosso compromisso é levar o financiamento até onde a produção acontece.”

Cinco propostas para transformar o sistema financeiro

Durante a conferência, a Gapi apresentou cinco medidas consideradas prioritárias para aumentar a competitividade da economia nacional:

  • transformar a partilha de risco numa política pública estruturante, reforçando o Fundo de Garantia Mutuária;
  • institucionalizar o blended finance como mecanismo permanente de mobilização de investimento;
  • criar uma plataforma nacional de preparação de projectos para financiamento climático e agro-industrial;
  • alargar o acesso das PMEs ao mercado de capitais;
  • utilizar os dados da moeda electrónica para desenvolver novos modelos de avaliação de risco e expandir o crédito digital.

Financiar as PMEs é investir no crescimento do país

Para Adolfo Muholove, apoiar as pequenas e médias empresas não representa uma política assistencialista, mas sim uma decisão estratégica para o crescimento económico de Moçambique.

“O financiamento das MPMEs não é um acto de benevolência. É a estratégia de crescimento mais racional disponível para Moçambique. Quem representa 98% do tecido empresarial e quase metade do emprego formal é a própria economia.”

A Gapi defende que apenas através de uma maior coordenação entre o Estado, o sector financeiro, as seguradoras, os parceiros de cooperação e o sector privado será possível reduzir o custo do capital, aumentar o investimento produtivo e criar um ambiente favorável à competitividade das empresas moçambicanas.

Ao encerrar a sua intervenção, a instituição reafirmou o compromisso de continuar a mobilizar soluções inovadoras para democratizar o acesso ao financiamento e contribuir para uma economia mais resiliente, inclusiva e sustentável, colocando a sua capacidade institucional ao serviço do desenvolvimento de Moçambique.

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