Na localidade de Luenha-Sede, distrito de Changara, província de Tete, a Associação para o Desenvolvimento da Mulher de Changara (ADEMUCHA) está a redefinir o poder da organização comunitária. Num contexto marcado por pobreza e exclusão financeira, esta associação sem fins lucrativos tem mobilizado Grupos de Poupança e Empréstimo (GPEs), criando pontes reais para a inclusão económica e social.
Em março de 2024, a ADEMUCHA recebeu da Gapi um financiamento de 250.000 meticais, distribuído entre três GPEs — ADEMUCHA, AFUMAC e CHUMA CHATU — envolvendo 70 membros, dos quais mais de 75% são mulheres. Os fundos foram investidos em comércio, agricultura e pequenos negócios, com uma taxa de juro de 5% ao mês.
O resultado? Um reembolso com 100% de sucesso em fevereiro de 2025 — prova viva de compromisso, transparência e gestão eficaz.
“Antes do crédito, eu tinha apenas uma pequena banca de tomate. Com o valor recebido, comprei sementes e ferramentas, aumentei a produção agrícola e hoje consigo garantir a alimentação e as propinas escolares dos meus filhos”, partilhou uma das beneficiárias.
Esta intervenção da Gapi, que foi efectuada no âmbito da Linha De Crédito Para Negócios Rurais, cujo objectivo é financiar empreendedores rurais enquadrados nas cadeias de valor alvo do Projecto de Financiamento de Empreendimentos Rurais (REFP), através do envolvimento do sector financeiro formal na concessão de financiamento por via do refinanciamento.
Estás intervenções tem um impacto transformador, dentre os quais (i) autonomia financeira: famílias geram mais rendimento e criam novos postos de trabalho; (ii) Inclusão social: mulheres antes excluídas do sistema financeiro formal agora têm acesso a crédito; (iii) benefícios comunitários: melhorias visíveis na alimentação, educação e reinvestimento local; e (iv) efeito multiplicador: a confiança entre os grupos fortalece novos ciclos de poupança e crédito.
A experiência da ADEMUCHA, em parceria com a Gapi-SI, mostra que modelos simples de poupança e crédito, quando aliados à disciplina e à organização comunitária, não apenas transformam vidas — fortalecem economias locais e inspiram novas possibilidades.


