Gapi reforça parceria entre Estado e privados para multiplicar investimentos

Novo Plano Estratégico prevê mobilizar 80 milhões de dólares e apoiar cerca de 9.700 empresas até 2030. Governo confiou à instituição a gestão de uma linha de crédito de 17 milhões de dólares para recuperação pós-cheias.

A Gapi – Sociedade de Investimentos está a reforçar o financiamento às micro, pequenas e médias empresas (MPME), expandir a sua presença no território nacional e mobilizar novos recursos públicos, privados e internacionais, no âmbito do Plano Estratégico 2026–2030 (Gapi2030), aprovado pelos accionistas em Assembleia Geral Extraordinária realizada em Setembro último.

A decisão de actualizar a estratégia da instituição, incorporando uma nova visão orientada para a economia e o investimento de impacto, ganhou novo impulso durante as comemorações do seu 35.º aniversário, em Março de 2025. Na ocasião, o Presidente da República, Daniel Chapo, enalteceu o papel desempenhado pela Gapi no desenvolvimento económico e social de Moçambique, destacando a sua contribuição para a inclusão financeira, o empreendedorismo e a criação de emprego.

Durante a mesma cerimónia, o Presidente do Conselho de Administração, Rafael Uaiene, destacou a necessidade de preparar a Gapi para uma nova etapa de desenvolvimento, através da elaboração de um Plano Estratégico capaz de responder aos desafios económicos e sociais do país.

Este processo incluiu a realização de um seminário estratégico, em Maio de 2026, com a participação de accionistas, gestores e especialistas nacionais e internacionais em finanças de desenvolvimento e investimento de impacto.

A nova estratégia prevê mobilizar o equivalente a 80 milhões de dólares em financiamento misto, apoiar cerca de 9.700 MPME e contribuir para a criação de mais de 57 mil empregos directos e aproximadamente 199 mil indirectos até 2030.

O Plano estabelece igualmente a expansão da rede de financiamento e capacitação empresarial de 37 para 50 unidades e o reforço dos fundos próprios da instituição para cerca de 1,6 mil milhões de meticais.

Governo confia à Gapi gestão de 17 milhões de dólares para recuperação pós-cheias

Uma das mais recentes intervenções da Gapi é a gestão de uma linha de crédito de aproximadamente 17 milhões de dólares, contratada pelo Governo para apoiar a recuperação de actividades agrícolas e pecuárias afectadas pelas cheias de 2026.

A linha de financiamento, cuja operacionalização teve início em finais de Agosto, resulta de uma parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS) e destina-se a produtores e empresas ligadas às cadeias agro-industriais nas províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Manica, Sofala, Inhambane, Gaza e Maputo.

Nos termos do contrato, cabe à Gapi assegurar a gestão fiduciária, operacional e financeira dos recursos, destinados à recuperação das actividades produtivas e ao restabelecimento da capacidade económica dos beneficiários afectados pelas inundações.

A intervenção constitui um exemplo da participação da Gapi na execução de programas de financiamento ao desenvolvimento promovidos pelo Governo, em articulação com parceiros nacionais e internacionais.

Rede nacional concedeu 380 milhões de meticais em crédito em 2025

Com 36 anos de actividade, a Gapi dispõe de uma rede que, no final de 2025, compreendia 15 delegações, 10 agências e 12 incubadoras empresariais, assegurando cobertura de serviços em 110 distritos do país.

Durante aquele exercício, a instituição concedeu 1.123 novos créditos, num montante global próximo de 380 milhões de meticais. A região Norte concentrou 47% do valor dos financiamentos concedidos, com destaque para actividades ligadas ao agronegócio.

Além da actividade creditícia, a Gapi implementou, em 2025, 20 programas de desenvolvimento de capacidades empresariais, em colaboração com entidades públicas e parceiros nacionais e internacionais.

No âmbito do Gapi2030, a instituição pretende alargar a sua rede para 50 unidades e disponibilizar serviços por via digital em 130 distritos, reforçando o acesso ao financiamento, à capacitação e ao acompanhamento empresarial.

INCUBOX e AgroVida apoiam jovens e pequenos produtores

Entre os programas em implementação destaca-se o INCUBOX II – Da Ideia ao Negócio, financiado pela União Europeia e implementado em colaboração com a Fundação Aga Khan, que promove o empreendedorismo juvenil nas províncias de Niassa, Cabo Delgado e Nampula.

O programa foi lançado oficialmente pelo Presidente da República durante as comemorações do 35.º aniversário da Gapi, tendo como uma das suas metas contribuir para a criação de mais de três mil empregos na região Norte.

Até ao final de 2025, a iniciativa tinha estabelecido e equipado 12 incubadoras, apoiado a criação de 221 empresas. A intervenção inclui formação em empreendedorismo, assistência técnica, elaboração de planos de negócio e apoio à inserção profissional.

Outro programa é o AgroVida, desenvolvido em parceria com a Fundação Aga Khan e com financiamento da cooperação neerlandesa, que abrange oito distritos de Cabo Delgado.

Com actividades previstas até 2029, o AgroVida tem como objectivo melhorar a segurança alimentar e nutricional de 24.500 pequenos produtores. Até ao final de 2025, tinham sido assistidos 1.844 beneficiários e criados ou apoiados 64 grupos de poupança e empréstimo.

Estes programas fazem parte de uma carteira de intervenções que combina financiamento, assistência técnica, capacitação empresarial e apoio ao acesso aos mercados.

Estado aumenta participação e CTA indica novo administrador

A aprovação do Gapi2030 ocorre numa fase de reforço da estrutura de capital e de renovação da representação dos accionistas nos órgãos de governação da instituição.

O Estado moçambicano realizou um investimento adicional de 36 milhões de meticais, elevando a sua participação no capital social da Gapi de 8,9% para cerca de 18,7%. O processo de capitalização prevê que essa participação possa atingir 30%, preservando a presença dos investidores privados e das organizações da sociedade civil.

Por sua vez, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), accionista com direito a representação no Conselho de Administração, indicou o empresário Aly Lalgy para ocupar o lugar daquela organização. A nomeação foi anunciada pela Gapi em 9 de Setembro de 2026.

Ligado ao sector dos transportes, Aly Lalgy sucede a Jeremias Sitoe, que representou a CTA durante os últimos quatro anos.

A estrutura accionista da Gapi integra, além do Estado e da CTA, investidores privados organizados na GapiGest, organizações da sociedade civil, nomeadamente a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) e a Cruz Vermelha de Moçambique, bem como gestores e técnicos representados pela Amutzi.

Gapi2030 aposta em novos instrumentos de financiamento e investimento de impacto

A implementação do Plano Estratégico aposta na combinação e reforço do capital da instituição com a mobilização de financiamentos junto de parceiros nacionais e internacionais, o desenvolvimento de novos instrumentos financeiros e a modernização tecnológica dos serviços.

Uma das principais orientações do Gapi2030 é o reforço de um modelo integrado que associa financiamento produtivo ao desenvolvimento das capacidades empresariais. Esta abordagem procura apoiar as empresas não apenas no acesso aos recursos financeiros, mas também na melhoria da sua gestão, produtividade e sustentabilidade económica.

A estratégia prevê igualmente reforçar a medição dos resultados económicos e sociais dos investimentos realizados, procurando associar os recursos mobilizados à criação de empresas, emprego, rendimento e oportunidades de desenvolvimento nas comunidades.

Com o Gapi2030, os accionistas pretendem consolidar a Gapi como uma plataforma nacional de financiamento e investimento de impacto, capaz de associar recursos públicos, privados e internacionais ao desenvolvimento dos sectores produtivos e à inclusão económica e financeira em Moçambique.

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