A agricultura moçambicana possui um enorme potencial para impulsionar o crescimento económico, gerar emprego e promover a inclusão social. No entanto, desafios como o acesso limitado ao financiamento, a insuficiência de infraestruturas, a baixa integração dos pequenos produtores nos mercados e a reduzida adopção tecnológica continuam a limitar o desenvolvimento do sector.
Estas constatações marcaram uma sessão de debate promovida no âmbito da apresentação dos resultados preliminares do FinScope MPME 2025, conduzida pela FSDMoç, e da proposta da Plataforma Nacional de Agropolos, apresentada pela Gapi, durante a cimeira União Europeia-Moçambique, a decorrer em Maputo até ao próximo dia 10 de junho corrente.
Os dados do FinScope revelam que as micro, pequenas e médias empresas continuam a enfrentar dificuldades significativas no acesso ao crédito, à energia, aos mercados e aos serviços financeiros adequados às suas necessidades. Apesar do crescimento do empreendedorismo feminino e da expansão dos serviços financeiros digitais, a informalidade e as limitações de financiamento continuam a restringir o potencial das MPMEs, especialmente nas zonas rurais.
Em resposta a estes desafios, a Gapi apresentou o modelo dos Agropolos Comerciais, uma abordagem integrada que combina empresas âncora, infraestruturas produtivas e logísticas, serviços financeiros, assistência técnica, digitalização e programas de incubação de jovens empreendedores.
A iniciativa visa criar ecossistemas económicos territoriais capazes de aumentar a produtividade, fortalecer as cadeias de valor, atrair investimento privado e promover o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais. A fase piloto prevê a implementação de quatro Agropolos em Chimbonila, Boane, Nampula e Chimoio, com potencial para mobilizar até 120 milhões de euros em investimento, integrar cerca de 50 mil produtores e criar aproximadamente 60 mil empregos directos e indirectos até 2031.
Durante o debate, os participantes destacaram a importância de instrumentos inovadores de financiamento, mecanismos de mitigação de risco, digitalização, energias renováveis, logística e agro-processamento para tornar a agricultura um sector mais competitivo e atractivo para investidores.
Mais do que um projecto agrícola, os Agropolos representam uma visão estratégica para a transformação económica das zonas rurais, colocando a juventude, as mulheres e as MPMEs no centro do desenvolvimento produtivo do país.


